2 de janeiro de 2011

Sinceridade

Sinceramente, quão rara é a sinceridade? Pergunto-me muitas vezes se ele é sincero, se ela é sincera, se eu sou sincero ou mesmo se alguém é verdadeiramente sincero.
O homem, ser bajulador, procura de maneira mais ou menos consciente, o proveito e o prazer em benefício próprio. Arriscava-me a dizer que toda a acção, seja ela bem ou mal intencionada, planeada com a nossa cabeça ou impulsionada pelo nosso coração, é sempre feita na procura da paz interior e gratificação pessoal. No fundo somos uns egoístas por natureza e o que nos diferencia é se o nosso bem-estar reside no prazer físico-emocional dos outros, de nós mesmos ou num equilíbrio perfeito de ambas as partes. Isto leva-me a pensar que somos particularmente sensíveis ao elogio e mimados quanto á critica. Não aceitamos de maneira fácil a sinceridade do próximo, fugimos muitas vezes às suas palavras e temos dificuldade em aceitar a sincera verdade.
O homem sincero é visto como um caçador de orgulho, aquele que mata e fere esse nosso mal tão estimado. As pessoas falam bem dele, apaixonam-se e desejam-no pela sua raridade mas preferem sempre ficar fora da sua mira. É demasiado difícil ser um alvo da sinceridade. Por isso esta é escorraçada e largada ao abandono, é um cão lindíssimo, de raça pura mas vadio, que deambula alternadamente pelas ruas do paraíso e do inferno. Praticamos a cultura da inverdade, porque esta é de aceitação e doação fácil. E na verdade escolhemos e fazemos amigos para que estes nos agradem e medimo-los na quantidade e na qualidade da sua complacência para connosco. Por isso, não é fácil ser sincero. Não é fácil ser diferente, disparar e lutar contra a mentira quando esta nos oferece “conforto”, “segurança”, “amigos”, “paixões”, “prazer” fácil e uma "felicidade" ilimitada. A sinceridade é um doce amargo, de uma raridade e pureza inimaginável e não admira que assim o seja. Ela é idolatrada mas perseguida, é livre no destino mas refém no pensamento, é humilde mas espalha humilhação, destrói mas ajuda a reconstruir, é feliz mas vive no meio da infelicidade...
E para ser sincero, a verdade é que nem sempre sou sincero. Não estaria a ser sincero se dissesse o contrário. Não é fácil! Mas tento e procuro incondicionalmente o valor da sinceridade em ti, em mim e escrevo-a neste papel e no meu pensamento para que me lembre todos os dias em partilha-la contigo. Pois certamente é a sinceridade que une aquilo que nos afasta e a grandeza de tudo o que nos resume.

escrito por Fábio Martins

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