Não sou muito crente no divino, mas acredito no valor que damos às coisas ou às pessoas e que isso poderá torna-las divinas, na medida certa e na razão entre a sua palavra, respeito e acção para connosco. Neste sentido, a ligação que se estabelece entre duas pessoas nada mais é que uma troca recíproca de acções, esboçadas em simples palavras ou gestos, que delimitarão o seu valor na nossa vida. Ainda que aceite que a complexidade deste fenómeno seja difícil de se resumir em apenas uma linha, acredito que uma palavra chega para explicar a seu principal problema, que curiosamente é a mesma para a sua solução: “Confiança”.
A confiança é um acto de fé, por isso não deve apoderar-se da complexidade do nosso pensamento mas antes servir-se da lógica simples do nosso coração. Ela é o ponto de equilíbrio que define o nosso bem ou mal estar para com outra pessoa. Ela pende para a infelicidade quando não te sentes capaz de usá-la, pende para a felicidade quando já nem tens que pensar nela e simplesmente disfrutas da plenitude da tua curta vida.
Aprender a confiar é nada mais que aprender a estar, a ser e a crescer com outra pessoa. Não nos devemos render à preguiça constante de não o fazer, por mais difícil que seja de assim o ser. Não sejamos egoístas! Do outro lado poderá estar a pessoa que mais nos quer, que mais nos compreende e que mais nos confia. Porquê à partida desconfiar? Quando amamos, apaixonamo-nos ou simplesmente gostamos…devemos resumir esse sentimento ao seu conteúdo essencial: o prazer de estarmos juntos. E é esse sentimento de prazer constante aliado ao estado de confiança da nossa alma para com o outro, que torna a nossa ligação tão divina.
É claro que, como em tudo na vida…erros acontecem, memórias se esquecem e palavras se esgotam. Como tal, a confiança entre duas pessoas poderá momentaneamente ser quebrada por uma ou outra acção, de forma consciente, inconsciente ou mal interpretada. No entanto, até lá confia, confia piamente que a sorte poderá estar à tua frente e olha que não aparece a muita gente. E se não foi desta que a sorte te bateu à porta, tens sempre uma porta ao lado...
O que interessa é que se viva a vida com a tranquilidade gerada pela nossa confiança, que aprendamos a usá-la como instrumento essencial à nossa felicidade e à dos outros. Se sabes viver bem e feliz sem isso, os meus parabéns! Eu simplesmente não consigo.
escrito por Fábio Martins
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